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A teoria da diversão

O imperio do mal

Como funcionam as histórias em quadrinhos

terça-feira, 12 de maio de 2009

Roupagem simbólica

Alvaro Acioli

Na globalização ocorre uma interação funcional entre as atividades econômicas e culturais dispersas e os bens e serviços gerados por um sistema internacional, com muitos centros dinâmicos.
E esse sistema opera permanentemente com a relação entre força de trabalho e lucratividade de produtos e serviços.
É no exercício do consumo que se completa todo esse processo que se inicia com a produção; além de refletir a força de trabalho envolvida ele também viabiliza a expansão do capital empatado.
Nesse contexto global o exercício da cidadania mantém uma relação direta com as práticas do consumo: com aquilo que se adquire ou o que se pode chegar a possuir, com todos os nossos desejos e expectativas.
Ser cidadão nesse momento não é somente compartilhar determinados direitos e costumes, com os nascidos na mesma nação ou sociedade.
Tornou-se comum a referência aos consumidores como pertencendo a classe A, a classe B, a classe C, etc.
O consumo envolve agora um conjunto de processos socioculturais, relacionados com apropriação e o uso de bens e serviços.
Canclini mostrou que o consumo na sociedade global é bem mais do que o simples exercício de gostos, caprichos e aquisições irrefletidas, subordinados a julgamentos eventuais ou atitudes personalistas.
Coube-lhe também esclarecer que não são só as necessidades ou os prazeres individuais que decidem o que, como e quem consome.
A oferta de produtos e a indução publicitária para compra obedece uma cuidadosa e criteriosa estratégia que define - com extraordinária margem de acerto - quem consumirá mais ou menos.
A lógica das relações na sociedade contemporânea se constrói principalmente no consumo simbólico, que afirma e distingue os consumidores.
E a lógica que rege a apropriação dos bens simbólicos não é a da satisfação de necessidades mas a da sua escassez ou a de impedir que outros venham a possuí-los.
A arena do consumo é o lugar onde o confronto entre classes, originado pela participação desigual na estrutura produtiva, ganha continuidade através da distribuição e da apropriação de bens.
Consumir é agora participar de um cenário de disputas por aquilo que a sociedade produz e pelos modos de usá-lo. E é nesse sentido que a mídia publicitária direciona as racionalizações com que seduz os consumidores.
Os bens adquiridos informam além de preferências individuais o que cada consumidor reconhece como tendo valor de mercado e o estágio de integração ou distinção social em que ele se situa.
O automóvel, por exemplo, muito mais que um veículo, é uma peça importante da roupagem simbólica que veste o consumidor contemporâneo.


http://aaciolitravessia.blogspot.com/2008/02/roupagem-simblica.html


A Força da Escassez

Álvaro Acioli

Um preconceito a ser vencido, no debate sobre a conservação da natureza, é o de que se trata de um tema da modernidade.Platão já discutia o assunto, quatro séculos antes da era cristã. Dados disponíveis mostram que o homem atua sobre os ecossistemas, há cerca de 7.500 anos ; ele desmata desde que utiliza o fogo para limpar seus terrenos de caça.Mas a bem da verdade a espécie humana tem contribuído para a conservação e o progresso, desde que habita a bioesfera. Abrindo clareiras, cultivando encostas, irrigando desertos, pesquisando variedades, domesticando animais, o homem diversificou os cenários primitivos e também multiplicou as possibilidades de evolução, para um inestimável número de espécies. Muitas das paisagens mais bonitas da terra foram criadas pela sensibilidade e pelas mãos do homem.Os organismos vivos, incluindo o homem, pertencem a sistemas ecológicos que se influenciam mutuamente. A humanidade tem de conciliar o progresso tecnológico com a preservação do patrimônio genético, assegurando a continuidade do processo evolutivo. A biosfera continua a ser inundada por substâncias não recicláveis e de efeitos imprevisíveis ; é impiedosa a destruição das espécies animais ; a exploração irresponsável dos ecossistemas está violando o equilíbrio natural.Mas para que isso se torne possível é preciso que os mais necessitados resolvam os seus problemas básicos : abrigo, comida e trabalho. E que os mais favorecidos controlem sua voracidade cumulativa.. Só então os ecossistemas serão explorados em benefício de toda a humanidade, sem ameaças às bases de seu funcionamento nem à sua biodiversidade.Há mais ou menos três décadas diversos organismos internacionais anunciaram que até o ano 2.000 os homens situados “abaixo da linha da pobreza” encontrariam trabalho e remuneração digna. Foi um sonho demasiado ousado imaginar que os detentores do poder e do capital iam implementar os meios capazes de erradicar a miséria do planeta, promovendo modelos sustentáveis de desenvolvimento.Hoje, em pleno século XXI, a realidade planetária mostra sinais ainda mais acentuados de degradação social. Continuamos bem distanciados desse olimpo idealizado. Os fantasmas da fome e do desemprego atacam agora no quintal das nações ricas, no primeiro mundo. O aumento da exclusão provoca a crescente informalidade da economia mundial e uma desesperada invasão dos centros urbanos, das grandes metrópoles. As forças incontroláveis que emergem da escassez vão definir o destino não apenas dos países, mas da própria humanidade. Comungo com o grande Milton Santos : "A convivência com a escassez para os não possuidores é aflitiva porque, para os pobres, viver no mundo do consumo é como subir uma escada rolante no sentido da descida. Não há negociação possível. É por isso que as experiências entre os pobres se renovam. E é essa prontidão dos sentidos que lhes faz ter o sentido da história". A sabedoria do momento presente está com os menos favorecidos, que são - de fato - os verdadeiros protagonistas do processo histórico e político.

Quadro de Candido Portinari

http://aaciolitravessia.blogspot.com/2009/05/forca-da-escassez.html

SEM ESTRESSE


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P r o j e t o
Estima
Ouça as músicas Cisma e Murmúrios,
compostas por mim e Daniel Ansor,
na voz de Sonia Acioli.