Sábado, 11 de Julho de 2009

Dificil arte de ser mulher

Frei Beto

... Na sociedade capitalista, onde o lucro impera acima de todos os valores, o padrão machista de cultura associa erotismo e mercadoria. A isca é a imagem estereotipada da mulher. Sua autoestima é deslocada para o sentir-se desejada; seu corpo é violentamente modelado segundo padrões consumistas de beleza; seus atributos físicos se tornam onipresentes. Onde há oferta de produtos - TV, internet, outdoor, revista, jornal, folheto, cartaz afixado em veículos, e o merchandising embutido em telenovelas - o que se vê é uma profusão de seios, nádegas, lábios, coxas etc. É o açougue virtual. Hipácia é castrada em sua inteligência, em seus talentos e valores subjetivos, e agora dilacerada pelas conveniências do mercado. É sutilmente esfolada na ânsia de atingir a perfeição.

Lei o artigo completo em :
http://blogs.universia.com.br/eureka/2009/06/28/dificil-arte-de-ser-mulher/
Colaboração de Lucienne Castellani

Domingo, 5 de Julho de 2009

Banca de Revistas









Veja acervo digital - 40 anos

Superinteressante - acervo digital

http://aaciolitravessia.blogspot.com/2009/06/semana-em-revista_14.html

Boato Forte

Peter Burke

Antes tratado como indigno,
tema é visto hoje como elemento fundamental
para compreender as relações sociais.


No passado desdenhado como assunto indigno do interesse dos estudiosos, o boato se tornou tema de pesquisa para psicólogos, sociólogos, antropólogos e historiadores bem como para os especialistas no estudo da comunicação. A abordagem quanto ao estudo do fenômeno, que pode ser definido como "um relato curto, anônimo e não confirmado quanto a um suposto evento", deixou de ser negativa e passou a ser positiva.
Originalmente, os boatos eram transmitidos de pessoa para pessoa, mas hoje em dia se tornou necessário incluir as histórias que circulam nos jornais, na televisão e na internet bem como na conversa cotidiana.
No passado descartado como patológico e como simples exemplo de informação indigna de confiança, o boato começa a ser encarado com seriedade cada vez maior, na forma de narrativa, produto coletivo para o qual muitas pessoas contribuem à medida que a história se difunde.
É tolice acreditar literalmente em boatos, mas é igualmente tolo descartá-los por inteiro, porque essas histórias revelam alguma coisa sobre as preocupações, interesses, esperanças e medos dos indivíduos e grupos que as transmitem. Os estudos sobre o boato chegaram a algumas conclusões fascinantes quanto às circunstâncias que favorecem sua difusão, as maneiras pelas quais as narrativas são elaboradas e sobre as funções sociais que elas têm a cumprir.

Leia a íntegra do artigo em :

http://www.rizoma.net/interna.php?id=189&secao=conspirologia


Domingo, 7 de Junho de 2009

"Tempo das Tribos"

Alvaro Acioli


Parece que a sociedade humana vive uma loucura caracterizada por uma tempestade de emoções contraditórias e multifacetadas; e ainda estamos longe de saber ou descobrir os meios de explicá-la ou de resolvê-la.Por isso eu creio que não é o cotidiano que nos cega. Para mim nós é que perdemos a capacidade de perceber esse cotidiano “alucinado” que nos envolve, onde se misturam vivências passadas com anseios futuros.
“Futuros” que viram “Passados” antes de serem apreendidos criticamente de uma forma relevante ou mais compreensiva.
Nessa fugacidade existencial tudo se fragmenta ou se esfumaça. Como conseqüência, uma cegueira social promove a busca incontrolável de renovadas crenças, outros Gurus e Xamãs, e irmãos (não carnais), mas fraternalmente solidários.
Esse fato é estimulado pelo medo e pela culpa, socialmente implantados, responsáveis pela idéia de que é utopia uma construção pessoal alternativa, que é impossível Crencarnar em qualquer pessoa um mundo existencial singular.
Assim condenado o homem oscila entre escapar (com idéias e ilusões paralisantes) ou agir irracionalmente (aderindo ao primitivismo tribal). Amedrontado por não ser, nem acreditar poder-ser, o homem foge apressadamente do si mesmo, acabando por render-se ao nada em si, afundando-se na des-identidade.
Pessoalmente creio que muitos já não “viviam” mais quando foram surpreendidos pela morte física. O retorno à experiência tribal primitiva, além de ensejar o controle de medos e a expiação de culpas torturantes, premia os neo-colonizados com a desejada (e necessária) identidade, só que sócio-tribal.
E para que esse milagre redentor ocorra basta apenas a submissão incondicional aos rituais, regras e dogmas da tribo acolhedora. E, é claro, ser aceito como novo membro do clã.
A partir desse vôo existencial regressivo todos os conflitos se resolvem e os temidos demônios são exemplarmente exorcizados.
O século XXI está sendo tido por muitos, entre os quais Michel Maffesoli, como o novo “Tempo das Tribos”.
Estaríamos assistindo outro crepúsculo da razão ou estão sendo gestadas novas razões, no mosaico de realidades em que nosso mundo se transformou?
O fato é que tudo parece relativo, que ninguém sabe mais o que está realmente acontecendo.
Mais do que nunca, a descoberta e apropriação do si mesmo tornou-se o maior mistério colocado para os humanos contemporâneos.
Ilustração - Indio Nambiquara

http://aaciolitravessia.blogspot.com/2009/06/fugacidade-existencial.html

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Nossos amigos, os animais.

Alvaro Acioli

Enquanto a ecologia transforma diariamente nossos conhecimentos sobre a natureza, a etologia continua modificando nossas impressões e teorias sobre os outros animais. Já sabemos que a atuação animal não é governada incondicionalmente por impulsos instintivos, que buscam uma satisfação automática. O comportamento é organizado e organizador, em um grande número de espécies, guiando-se por um avançado sistema de comunicação. Muitos animais produzem mensagens e expressões que definem comportamentos específicos : de advertência, intimidação, entrega, amizade, jogo, corte, cooperação, etc. São capazes, inclusive, de se comunicar simbolicamente. Lorenz mostrou que uma femea de ganso pode manifestar sua preferência por um macho simulando a necessidade de proteção. O mordiscar do animal significa o oposto do morder : comportamento lúdico, manifestação de agrado. Como já disse Morin o galinheiro não é um harém desordenado, submetido ao galo, mas uma sociedade hierarquizada ; nem a matilha é uma horda conduzida por um lobo dominador; mas uma sociedade em que a hierarquia se estabelece segundo um ritual de submissão e que sabe usar estratégia coletiva em situações de ataque e defesa. O mesmo Morin insiste em afirmar que "a sociedade, concebida como organização complexa de indivíduos diversos, fundada, ao mesmo tempo, sobre a competição e a solidariedade, comportando um sistema de comunicações rico, é um fenômeno extremamente comum na natureza ". O tipo de sociedade animal varia não somente conforme a espécie mas quanto ao meio em que está situada. Na densa floresta, rica em alimentos, os chipanzés estabelecem uma ordem social descentralizada e permissiva. Nas savanas, onde existe menos abundância e mais perigos, a estrutura social torna-se rígida e centralizada. A comunicação, a produção de ritos e a capacidade de simbolizar também não são particularidades humanas, tendo raízes oriundas na longa evolução das espécies. Nossa sociedade é apenas uma variante surgida no extraordinário desenvolvimento do fenômeno social natural. Não deve, por isso,surpreender o grande número de trabalhos científicos que demonstra a importância da companhia de outros animais para a saúde física e mental dos homens. Vários estudos atestam que esse convívio pode atenuar reações depressivas e sentimentos de inutilidade, sobretudo para os que vivem isolados ou não conseguem manter relações sociais estáveis.
O próprio Freud realçou o valor da amizade com os animais : "... isto explica por que se pode amar um animal com uma intensidade tão extraordinária ; nutrir por eles uma afeição sem ambivalência, simples e livre dos conflitos quase intransponíveis da civilização ...Ter um sentimento de afinidade íntima, de verdadeira solidariedade ". Inúmeras pesquisas concluíram que falar e acariciar um animal é uma ação que beneficia a saúde de quem a pratica; pode provocar, no sistema cardiovascular, uma estimulação por vezes mais favorável do que a gerada por uma relação com seres humanos. Estudos bem controlados chegam a afirmar que esse convívio aumenta a proteção contra as pressões psicológicas, provocadas pelos problemas da vida diária.E também pode contribuir para melhorar a capacidade dos parceiros humanos de enfrentar infecções e doenças. Sabe-se que a solidão provoca ou agrava, seriamente, muitas enfermidades. Por isso muitos idosos, privados do apoio afetivo de que precisam, podem colher grandes benefícios desse convívio excepcional. Existem instituições que criam gatos, cachorros e pássaros com a finalidade de propiciar estímulos afetivos e companhia, para seus hóspedes e assistidos. É agora fato indiscutível que os animais domésticos podem dar uma contribuição importante para a socialização humana, com benéficas consequências para o relacionamento do homem com seus semelhantes. Mas a melhor fase para o início desse relacionamento são os primeiros anos de vida. Essa convivência fortalece os vínculos com o mundo natural; além de ensinar a criança a respeitar a natureza e todos os seres vivos, contribui para elevar o seu senso de responsabilidade e a autoconfiança.

http://aaciolitravessia.blogspot.com/2009/06/nossos-amigos-os-animais.html

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Roupagem simbólica

Alvaro Acioli

Na globalização ocorre uma interação funcional entre as atividades econômicas e culturais dispersas e os bens e serviços gerados por um sistema internacional, com muitos centros dinâmicos.
E esse sistema opera permanentemente com a relação entre força de trabalho e lucratividade de produtos e serviços.
É no exercício do consumo que se completa todo esse processo que se inicia com a produção; além de refletir a força de trabalho envolvida ele também viabiliza a expansão do capital empatado.
Nesse contexto global o exercício da cidadania mantém uma relação direta com as práticas do consumo: com aquilo que se adquire ou o que se pode chegar a possuir, com todos os nossos desejos e expectativas.
Ser cidadão nesse momento não é somente compartilhar determinados direitos e costumes, com os nascidos na mesma nação ou sociedade.
Tornou-se comum a referência aos consumidores como pertencendo a classe A, a classe B, a classe C, etc.
O consumo envolve agora um conjunto de processos socioculturais, relacionados com apropriação e o uso de bens e serviços.
Canclini mostrou que o consumo na sociedade global é bem mais do que o simples exercício de gostos, caprichos e aquisições irrefletidas, subordinados a julgamentos eventuais ou atitudes personalistas.
Coube-lhe também esclarecer que não são só as necessidades ou os prazeres individuais que decidem o que, como e quem consome.
A oferta de produtos e a indução publicitária para compra obedece uma cuidadosa e criteriosa estratégia que define - com extraordinária margem de acerto - quem consumirá mais ou menos.
A lógica das relações na sociedade contemporânea se constrói principalmente no consumo simbólico, que afirma e distingue os consumidores.
E a lógica que rege a apropriação dos bens simbólicos não é a da satisfação de necessidades mas a da sua escassez ou a de impedir que outros venham a possuí-los.
A arena do consumo é o lugar onde o confronto entre classes, originado pela participação desigual na estrutura produtiva, ganha continuidade através da distribuição e da apropriação de bens.
Consumir é agora participar de um cenário de disputas por aquilo que a sociedade produz e pelos modos de usá-lo. E é nesse sentido que a mídia publicitária direciona as racionalizações com que seduz os consumidores.
Os bens adquiridos informam além de preferências individuais o que cada consumidor reconhece como tendo valor de mercado e o estágio de integração ou distinção social em que ele se situa.
O automóvel, por exemplo, muito mais que um veículo, é uma peça importante da roupagem simbólica que veste o consumidor contemporâneo.

http://aaciolitravessia.blogspot.com/2008/02/roupagem-simblica.html