terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

As leis da quinta disciplina

1. OS PROBLEMAS DE HOJE VÊM DAS ‘SOLUÇÕES” DE ONTEM.
... Sempre ficamos intrigados com as causas de nossos problemas quando, na verdade, deveríamos recordar as soluções que demos para outros problemas do passado... Soluções que transferem os problemas de uma parte do Sistema para outra freqüentemente não são detectadas.
2. QUANTO MAIS VOCÊ EMPURRA, MAIS O SISTEMA EMPURRA DE VOLTA.
... Insistir, seja através de uma intervenção cada vez mais agressiva, seja através da repressão cada vez mais estressante dos instintos naturais, é uma estratégia inconsequente. ... Considere uma pessoa que para de fumar, engorda, começa a ter problemas com sua auto-imagem e volta a fumar para aliviar o estresse.
3.
O COMPORTAMENTO MELHORA ANTES DE PIORAR.
... Em sistemas humanos complexos, sempre há várias alternativas para melhorar as coisas a curto prazo. Porém, o feedback de compensação pode voltar depois para assombra-lo. ... Uma solução sempre parece maravilhosa quando cura primeiro os sintomas. As coisas podem melhorar ou talvez até o problema seja resolvido. Talvez, somente daqui a dois, três ou quatro anos ele volte ou surjam novos, ainda piores.
4.
A SAÍDA MAIS FÁCIL NORMALMENTE NOS LEVA DE VOLTA PARA DENTRO.
Todos gostamos de utilizar soluções conhecidas para resolver dificuldades, optando por aquilo que conhecemos melhor. ... Afinal, se a solução fosse fácil de enxergar ou óbvia a todas as pessoas, já teria sido encontrada.
5.
A CURA PODE SER PIOR DO QUE A DOENÇA.
Quase sempre, a solução fácil ou familiar não é apenas ineficaz, mas perigosa, podendo criar dependência. ... O alcoolismo, por exemplo, pode começar com o simples hábito de beber socialmente – uma solução para um problema de auto-estima baixa ou para o estresse provocado pelo excesso de trabalho. ... Qualquer solução a longo prazo deve fortalecer a habilidade do sistema de arcar com as próprias responsabilidades.
6.
MAIS RÁPIDO SIGNIFICA MAIS DEVAGAR.
... Todos os sistemas naturais, dos ecossistemas aos animais e às organizações, possuem seu próprio ritmo ideal de crescimento. O ritmo ideal é muito mais lento do que o crescimento mais rápido possível. Quando o crescimento se torna excessivo – como ocorre com o câncer – o próprio sistema buscará compensa-lo, diminuindo o ritmo e, provavelmente, colocando em risco a sobrevivência da organização.
7.
CAUSA E EFEITO NÃO ESTÃO TÃO PRÓXIMOS NO TEMPO E NO ESPAÇO
... Chamo de “efeitos” os sintomas óbvios que indicam a existência de problemas – uso abusivo de drogas, desemprego, crianças famintas, declínio nos pedidos, ... Como “causa, refiro-me à interação do sistema subjacente, que é a maior responsável pela geração dos sintomas e que, quando identificada, pode gerar mudanças, resultando em melhorias duradouras. Por que isso é um problema ? ... Existe uma diferença fundamental entre a natureza da realidade nos sistemas complexos e a forma predominante de como pensamos a respeito dessa realidade.
8.
PEQUENAS MUDANÇAS PODEM PRODUZIR GRANDES RESULTADOS.
...As soluções obvias não funcionam – na melhor das hipóteses, melhoram os problemas a curto prazo, somente para piora-los a longo prazo. No entanto, há o outro lado da história. O pensamento sistêmico também mostra que pequenas atitudes bem focalizadas podem produzir melhorias significativas e duradouras, desde que atuem no lugar certo. ... A solução de um problema difícil é uma questão de descobrir onde está a maior alavancagem, uma mudança que – com o mínimo de esforço – resultaria em melhoria duradoura e significativa.
9.
VOCÊ PODE ASSOBIAR E CHUPAR CANA – MAS NÃO AO MESMO TEMPO.
Às vezes, os dilemas mais complexos, quando analisados do ponto de vista sistêmico, não são absolutamente dilemas. São resultado do raciocínio “instantâneo”, e não do pensamento baseado em “processo” e podem ser vistos de forma diferente quando você analisa conscientemente as mudanças ao longo do temo.
10.
DIVIDIR UM ELEFANTE AO MEIO NÃO PRODUZ DOIS PEQUENOS ELEFANTES.
Os sistemas vivos têm integridade. Seu car’ter depende do todo. O mesmo ocorre com as orgnizações; para compreender as questões gerenciais mais complexas é preciso ver o sistema inteiro responsável pelo problema.
11.
NÃO EXISTEM CULPADOS.
Nossa tendência é culpar as circunstâncias externas pelos nossos problemas. O pensamento sistêmico mostra-nos que não existe lá fora”, que você e a causa de seus problemas fazem parte de um único sistema. A cura está no seu relacionamento com o seu “inimigo”.

Textos extraídos e adaptados por Álvaro Acioli, do livro
“A Quinta Disciplina”, de Peter M Senge, Ed. Best Seller

domingo, 23 de janeiro de 2011

Roupagem simbólica

Alvaro Acioli

Na globalização ocorre uma interação funcional entre as atividades econômicas e culturais dispersas e os bens e serviços gerados por um sistema internacional, com muitos centros dinâmicos.
E esse sistema opera permanentemente com a relação entre força de trabalho e lucratividade de produtos e serviços.
É no exercício do consumo que se completa todo esse processo que se inicia com a produção; além de refletir a força de trabalho envolvida ele também viabiliza a expansão do capital empatado.
Nesse contexto global o exercício da cidadania mantém uma relação direta com as práticas do consumo: com aquilo que se adquire ou o que se pode chegar a possuir, com todos os nossos desejos e expectativas.
Ser cidadão nesse momento não é somente compartilhar determinados direitos e costumes, com os nascidos na mesma nação ou sociedade.
Tornou-se comum a referência aos consumidores como pertencendo a classe A, a classe B, a classe C, etc.
O consumo envolve agora um conjunto de processos socioculturais, relacionados com apropriação e o uso de bens e serviços.
Canclini mostrou que o consumo na sociedade global é bem mais do que o simples exercício de gostos, caprichos e aquisições irrefletidas, subordinados a julgamentos eventuais ou atitudes personalistas.
Coube-lhe também esclarecer que não são só as necessidades ou os prazeres individuais que decidem o que, como e quem consome.
A oferta de produtos e a indução publicitária para compra obedece uma cuidadosa e criteriosa estratégia que define - com extraordinária margem de acerto - quem consumirá mais ou menos.
A lógica das relações na sociedade contemporânea se constrói principalmente no consumo simbólico, que afirma e distingue os consumidores.
E a lógica que rege a apropriação dos bens simbólicos não é a da satisfação de necessidades mas a da sua escassez ou a de impedir que outros venham a possuí-los.
A arena do consumo é o lugar onde o confronto entre classes, originado pela participação desigual na estrutura produtiva, ganha continuidade através da distribuição e da apropriação de bens.
Consumir é agora participar de um cenário de disputas por aquilo que a sociedade produz e pelos modos de usá-lo. E é nesse sentido que a mídia publicitária direciona as racionalizações com que seduz os consumidores.
Os bens adquiridos informam além de preferências individuais o que cada consumidor reconhece como tendo valor de mercado e o estágio de integração ou distinção social em que ele se situa.
O automóvel, por exemplo, muito mais que um veículo, é uma peça importante da roupagem simbólica que veste o consumidor contemporâneo.


http://aaciolitravessia.blogspot.com/2008/02/roupagem-simblica.html


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